terça-feira, 2 de junho de 2009

FRIO EM VILHENA


Uma frente fria está avançando pelo Brasil e vem acompanhada de uma intensa massa de ar polar, que passará pelos estados do Mato Grosso, Rondônia e Acre, provocando queda de temperatura. Também poderá provocar recordes de frio nos três Estados no meio desta semana, além do vento que aumentará de intensidade, diminuindo ainda mais a sensação térmica.
A mínima ficará entre 15 e 16 graus. A região de Vilhena é, como de costume, a área que sofrerá maior impacto da friagem. A máxima não deve ser maior do que 22 graus e a mínima pode cair para 12 graus até a manhã desta quarta-feira.

MINISTRO DOS TRANSPORTES CANCELA VINDA A VILHENA


Um deputado, um senador e o prefeito de Vilhena... Cada qual tratou de divulgar à imprensa de que era o responsável pela vinda do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, à cidade amanhã. Até o governador Ivo Cassol disse que estaria em Vilhena para receber o ministro. Paroquial? Imagina!
Mas Alfredo Nascimento cancelou sua vinda à cidade. O ministro espera, primeiramente, a conclusão da apuração das denúncias de desvio de dinheiro em relação às obras no perímetro urbano da BR 364. Além da duplicação, no passado teriam sido liberados recursos para benfeitorias diversas, como a urbanização das marginais, iluminação e passarelas de pedestres na rodovia.

domingo, 31 de maio de 2009

Índios de Rondônia viajam à Europa para conhecer acervo recolhido em suas aldeias

* Matéria publicada neste domingo pelo Diário da Amazônia
Autoria: Vanessa Farias

Sete índios dos povos Aruá, Jabutí, Kanoé, Makurap e Tuparí, que vivem nas terras indígenas de Rio Branco e Guaporé, em Rondônia, embarcam neste sábado para a Suíça, onde terão a oportunidade de mostrar a cultura de cada etnia e trocar conhecimentos com pesquisadores suíços. A viagem no valor de aproximadamente R$ 70 mil está sendo financiada pelos museus etnográficos de Basiléia, na Suíça, de Viena, na Áustria; de Berlim, na Alemanha e do museu de Leiden, na Holanda.

O intercâmbio é resultado de um projeto de recuperação de costumes indígenas realizado a longo prazo das duas terras indígenas. “Os museus possuem arquivos do ano de 1934, quando as pesquisas com esses povos começaram”, conta a fotógrafa e jornalista Gleice Mere que faz a intermediação há dois anos entre os índios e os pesquisadores suíços.

Anísio Aruá, José Anderê Makurap, Marlene Tupari, Dalton Tupari, Analícia Makurap, José Augusto Kanoé e Armando Jabuti estão ansiosos para conhecer os objetos e registros fotográficos de seus antecedentes que estão guardados nos museus. “Além de querer conhecer os parentes dos homens que nos ajudaram no passado fazendo esses registros e levando a nossa cultura para outro país, nós queremos ver as fotos dos nossos pais e avós, identificar o nosso passado”, diz Marlene Tupari.

O indígena José Anderê anseia por uma única expectativa. “Eu nem sei ler nem escrever, nem sei quantos anos de idade eu tenho, mas única coisa que quero é poder ver meus pais que eu não conheci. Tomara que tenha fotos deles por lá”, dispara. A filha, Analícia, estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental e acredita que a viagem servirá para ampliar seus conhecimentos. “Nós vamos trocar experiências com pessoas que vivem em um país de primeiro mundo, e isso pode ser muito bom para o nosso conhecimento de vida”, declara.

Cestos de olho de palha usados na aldeia para “guardar” as galinhas que vão chocar os ovos, roupas tradicionais, arcos e flechas são a contrapartida dos indígenas para os museus. “Eles precisam levar novos arquivos para o museu para enriquecer o material que já existe lá”, explica Gleice Mere.

Registros

Em 1934, o pesquisador suíço Emil-Heinrich Snethlage chegou à região do Guaporé, onde morou por seis meses coletando materiais para os museus, conhecendo os costumes dos povos e registrando a história das tribos da área. Em uma segunda viagem à região, Emil escreveu um diário de 1042 páginas que nunca foi publicado, gravou um filme mudo e sons de cânticos indígenas que são reconhecidos pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

“Essa viagem vai marcar a gente, com o que vamos poder ver de diferente no trabalho que nossos avós e pais faziam, as fotos, as músicas. Tudo vai ser importante para nós”, enfatizou José Augusto Kanoé. Para aqueles que nunca saíram do Estado, um medo que não é maior do que a vontade de viajar é revelado. “Eu nunca viajei de avião. Dá um medo de imaginar, mas eu vou conseguir”, diz Marlene Tupari.

Além de visitas aos cinco museus patrocinadores, está previsto também o encontro com as famílias dos pesquisadores que passaram pela região de Rio Branco e Guaporé, oficinas com crianças locais, apresentações de filmes sobre a Amazônia, dança e pintura indígena e o reconhecimento do acervo de objetos guardados nos museus. A chegada dos indígenas na Suíça está prevista para este domingo e o retorno da viagem será feito em 20 dias.


MEDICINA BOLIVIANA
Tem gente aqui do Cone Sul ficando cega depois de se submeter a cirurgias oftalmológicas na Bolívia. O alerta é do médico vilhenense Marco Túlio Teodoro. “Já atendi em Cerejeiras algumas destas vítimas”, acentua Teodoro, que atua há 28 anos como oftalmológico e já foi delgado do CRM (Conselho Regional de Medicina).

PALANQUE
Ele ainda não desmontou o palanque”. Foi assim que se defendeu o ex-secretário municipal de Esportes, Natal Jacob, das críticas veladas feitas a ele pelo atual titular da pasta, Dirceu Hoffmann.

TRÂNSITO
O trânsito de Vilhena anda ta caótico que o prefeito achou por bem nomear um pastor para comandar a Semtran. Só mesmo por Deus! O pastor Antônio Manoel de Souza está à frente na secretaria.

IDEALISTAS
Nesta semana ocorreu mais uma reunião do Movimento Idealistas do Sul, desta vez no Sindsul, para agregar lideranças em torno do projeto de a região ter o menor número possível de candidatos a deputado federal. Já tem dois na lista dos possíveis postulantes: Coronel João Bonfim e Augustinho Pastore.

HINO PARA O VEC
O empresário e suplente de vereador José Cechinel (PSC) tem atacado em outras praias. Acaba de apresentar à imprensa – na voz do cantor João Batista – a gravação do hino do VEC, de sua autoria.

MULTIMÍDIA
E falando em cantor, o famoso jornalista Zé Antônio S’Antana (revista Imagem), que já passou pela TV Globo, rádios e afins, agora também resolveu soltar a voz. Canta música gospel – lógico! – durante os cultos da Igreja Batista Nacional. E me disseram que ela “manda bem”.

REVÉS
Sempre a gente lê na imprensa que tem travesti atacando pessoas que passam pela avenida Presidente Nasser. Mas, na semana passada foi o contrário e aí ninguém divulgou. Uns filhinhos-de-papai foram ao ponto das meninas e deram uma peia de açoite em duas delas. “Foi como se tivessem batendo num animal”, contou à coluna um comerciante que preferiu não se identificar

Gengibre da Amazônia pode curar o câncer


CHICO ARAÚJO
Agência Amazônia

BRASÍLIA – Originário de países asiáticos, mas encontrado fartamente na Amazônia o gengibre amargo é a mais nova arma contra o câncer. É o que aponta um estudo em andamento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sediado em Manaus, capital do Amazonas. As pesquisas, iniciadas há 15 anos, comprovaram que o composto Zerumbona, extraído de um novo tipo de gengibre (Zingiber zerumbet) é bem mais do que os remédios alopáticos atualmente utilizados no tratamento do câncer.
A descoberta coloca o Inpa na frente de países europeus e asiáticos. Isso porque, trabalhos semelhantes também são desenvolvidos em outras partes do mundo. A mesma planta é utilizada na China no tratamento de diversos tipos de tumores. A medicina tradicional da Indonésia e do Japão também utiliza as raízes da planta no tratamento de dores, aumento do apetite, antiespasmódico e na alimentação. Por exemplo, os japoneses conseguiram desenvolver a partir de Zingiber a Zerumbona sintética, para fins de uso cosmético.
A planta pesquisada é encontrada na área rural de Manaus, mais especificamente nas localidades de Taruamã-Mirim e Puraquequara, explica o pesquisador Carlos Cleomir de Souza Pinheiro, do Inpa. Nessas comunidades, segundo ele, as pessoas utilizam a planta para ornamentação. A espécie produz flores muito bonitas, “e as pessoas não sabiam que por traz de toda a beleza existe um grande potencial farmacológico”.
O tipo encontrado nos arredores de Manaus pertence à família Zingiberaceae, composta por mais de 100 gêneros e 1,2 mil espécies. Algumas dessas espécies são cultivadas no Brasil e conhecidas popularmente como gengibre. Na Amazônia, elas se parecem com a mangarataia, bastante utilizada contra inflamações na garganta. Em algumas áreas rurais de Manaus, a espécie Zingiber zerumbet é utilizada como: antiespasmódico, antiinflamatório, contra cólicas e no tratamento de doenças estomacais.
Estudos recentes em poder do governo indicam que há, no Brasil, mais de 10 mil espécies de plantas da Amazônia são portadoras de princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas. A região concentra também outras 300 espécies de frutas comestíveis e uma rica fauna silvestre. Ao todo, a Amazônia guarda em suas florestas, várzeas, cerrados e rios, um total de 33 mil espécies de plantas superiores.

Composto com 97% de pureza

Há três anos, os pesquisadores do Inpa obtiveram 97% de pureza de uma substância encontrada no Zingiber zerumbet e usada no combate à células neoplásicas (tumores malignos constituídos de células do fígado, cólon ou de pele). Antes, o grau de pureza alcançado fora somente de 337%, considerado baixíssimo para a fabricação de medicamentos. A substância foi obtida por da extração de óleos essenciais das raízes do gengibre amargo, o Zingiber zerumbet.
Para extrair a substância dos óleos essenciais, o pesquisador Carlos Cleomir Pinheiro criou uma técnica própria: o arraste-hidrovapor. O sistema se utiliza de vapores de água e é totalmente natural. Pinheiro pesquisa a espécie há mais de uma década. Seu interesse pelo gengibre amargo aumento depois de fazer intensas pesquisas na literatura mundial acerca do uso terapêutico da planta.
“Os estudos científicos revelam efeitos citotóxicos de Zerumbona contra células cancerígenas (tumores malignos). Ou seja, a substância atua inibindo a proliferação das células doentes”, observou Pinheiro.

Substância combate a Aids

Nas pesquisas sobre a substância, Cleomir Pinheiro também se deparou com outros estudos animadores. Disse que, entre eles, há estudos recentes que apontam o uso do composto Zeburona até mesmo contra a Aids. “A eficácia da planta se deve a sua estrutura simples. Ela é formada por uma cadeia longa, com 15 carbonos, ligados a uma estrutura carbonila cetônica (oxidação de álcoois secundários que tem um radical de CO). A estrutura é chamada cientificamente de sesquiterpeno”, explicou.
A comercialização do composto extraído do gengibre está prevista para, no máximo, dois anos. Já existem várias empresas interessadas para colocar o produto no mercado. De acordo com o pesquisador, será um produto de baixo custo, pois ele vem de uma planta que se reproduz facilmente. “Esse remédio será de grande importância para a sociedade, pois além de se um forte aliado ao tratamento do câncer, ele também pode ser usado para tratar a leucemia e até a Aids”, conta.
Já existem várias patentes semelhantes desse tipo de composto, mas após a descoberta dele no Amazonas foi encontrada uma nova fórmula de extração do produto, por meio de óleos essenciais, o que determinou um grau de pureza de 97,95%. Esse processo já foi patenteado pelo Inpa. “Encontramos outras atividades farmacológicas que ainda não foram estudadas, o que favorece ainda mais nossa pesquisa”, afirma.
Esse estudo rendeu bons frutos ao pesquisador, pois é a base da sua tese de doutorado em biotecnologia, que em breve será apresentada. A pesquisa também deu prêmios ao Inpa, um deles é o de Inovação tecnológica do Norte – Finep. Para o pesquisador, essas são algumas das várias conquistas que essa pesquisa vai gerar, principalmente, para a sociedade.

Fonte:
http://www.agenciaamazonia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3565&Itemid=529

sábado, 30 de maio de 2009

OS SONHOS DE UM JOVEM SABANÊ


Afinal de contas, o que quer o índio do Século XXI? Viver da caça e da pesca? Contentar-se com as lavouras de subsistência, longe desta aldeia muito doida dos “civilizados”? As respostas vêm segundo o prisma de um jovem: Otávio Augusto Sabanê, 18 anos. Ele é estudante da sexta-série, mora com os pais e cinco irmãos na aldeia Aroeira, a 18 km do centro de Vilhena.

Igual a maioria dos jovens, o carismático Otávio tem um ímpeto questionador e respostas para tudo. Gosta da vida que leva na aldeia, onde vivem mais de 100 adolescentes como ele. Gosta das danças, da carne de “purete” (macaco), mas acalanta sonhos “de branco”.

Otávio gosta de carros, tem celular e há alguns dias visitou pela primeira vez uma lan house (casa de acesso à internet) em Vilhena. “Eu bem que tentei criar um Orkut, mas não consegui. Entrei nuns sites, mas queria ter mais acesso às páginas da Funai e da Funasa, conhecer mais nossos direitos. De todos os índios que conheço (e são centenas), apenas um deles tem Orkut”, revela.

Depois de algum tempo sem estudar, Augusto voltou à escola, que funciona na reserva onde mora, impelido pelo incentivo de receber R$ 102,00 mensais do programa Bolsa Família, do Governo Federal. Ao aprender “coisas de branco”, o adolescente reflete sobre a cultura geral e valoriza ainda mais suas raízes. “Minha cultura será sempre guardada em algum cantinho”, garante, ressalvando que ambiciona projetos de vida fora do contexto indígena. “Eu queria ser três coisas: locutor de rodeio, caminhoneiro e cantor sertanejo, mas sempre pode voltar à aldeia e viver minha cultura”, pontua

O desafio de ser índio no Século XXI



Matéria veiculada neste sábado (30/5) no caderno FOLHA TUDO, da Folha do Sul

Legendas: O vice-cacique Renato e Deuzinha com o filho doente

POVOS ÍNDIGENAS DA REGIÃO LUTAM PARA MANTER VIVAS SUAS CULTURAS CENTENÁRIAS


A FOLHA TUDO esteve na Casa de Saúde Indígena (Casai) no dominho, 24, para saber o que pensam os índios desta região no Século XXI. Cerca de 70 indígenas estavam hospedados em quartos de alvenaria, assistidos por enfermeiros, em meio à tranquilidade num ambiente harmonioso, bem cuidado e limpo, com grama, árvores e crianças brincando por todos os lados.

A Casai é mantida pela Fundação Nacional de Saúde, funcionando num espaço amplo e funcional a cinco quilômetros do centro da cidade pela rodovia BR 364 – sentido Vilhena-Porto Velho. Lá, os índios doentes e seus acompanhantes se abrigam enquanto aguardam para o atendimento médico na cidade. Eles se tratam como “parentes” e não registros de atritos entre eles.

O mais falante dentre os que estavam na Casai era Renato Nambiquara, 42, filho de um legendário líder na região de Comodoro (MT): o cacique Lourenço. Renato fala com orgulho do pai já falecido e conta que é hoje o vice-cacique da Aldeia Central Nambiquara, a 30 km do centro de Comorodo, que tem 120 moradores. “Com o Governo Lula, melhorou nossa situação por causa da Bolsa-Família, que começou a beneficiar nós índios; antes só tínhamos a aposentadoria. Conseguimos, com isso, comprar roupas, cadernos, lápis”, afirma Renato, explicando, no entanto, que sua tribo é auto-suficiente na produção de alimentos e de caça. Mas, apesar do Lula “estar sendo bom” – de acordo com o líder – ele defende que índio não deveria votar. “Mas já que temos o título, devemos cumprir com esta obrigação”, pondera. “No geral, fomos comprados e corrompidos pelos políticos. Como que pode aqui nesta região Amazônica não ter pelo menos deputados índios?”, questiona.

O líder nambiquara é veemente quando trata da relação cultural com os não-índios. “Eu não acho certo, por exemplo, participar de festas de brancos, onde tem cerveja, cachaça e a destruição da nossa cultura”. É o mesmo pensamento de Deuzinha Aikanã, 25. Ela luta para manter viva a cultura de seu povo. A jovem é um dos cerca de 70 moradores da aldeia Rio do Ouro, a 150 km de Chupinguaia (RO). “Estou aqui na Casai há 4 anos, desde que meu filho Dienison nasceu”. Ele é excepcional, não fala, não anda, tem problema cardíaco e no esôfago. Precisa constantemente de cuidados médicos e é observado pelos enfermeiros. Logo vai ser operado novamente. Mas, “mesmo afastada este tempo todo da minha aldeia, não gosto de ir à cidade de Vilhena e nem comer coisas de supermercado”, diz Deuzinha. “Para não esquecer da minha cultura, anoto tudo que fui ouvindo de minha mãe e de minha avó, as lendas, os nomes dos bichos, a serventia das ervas medicinais”. Ela estudou até a quinta série.

Em 2009 completa o primeiro centenário da passagem de Marechal Cândido Rondon pela região para a instalação dos postos telegráficos. Tido como “defensor dos povos indígenas”, tal fama é vista com desconfiança. Herói ou bandido? Deuzinha trata de responder ligeiro: “Ele foi um dos trouxeram as doenças como o sarampo e mexeram nas nossas raízes. Que beneficio tivemos?”, aponta.

Deuzinha tem motivos para olhar com desconfiança os não-índios. “Foi um branco, que era madeireiro aqui em Vilhena, que matou meu pai, quando eu tinha 10 anos de idade”. Paradoxalmente, para preservar suas tradições, a índia faz como na cultura dominante: escreve suas memórias em português, apesar de também saber o idioma tradicional. E faz questão de acentuar: “sei um pouquinho de inglês”.